A expectativa de vida tem aumentado, entretanto, viver em contextos vulneráveis não significa necessariamente viver bem e envelhecer ativamente. Investigamos o envelhecimento ativo e saudável em um contexto de vulnerabilidade do Norte do Brasil a partir deuma perspectiva salutogênica. Uma pesquisa qualitativa foi conduzida com foco na história de vida do Senhor Moa (81 anos), cuja narrativa biográfica foi alvo de uma análise temática. As experiências de vida do Senhor Moa na infância, na vida adulta e na velhice foram perpassadas por estressores como fome, trabalho infantil, acidentes, adoecimento, perda de entes queridos. No entanto, estratégias de enfrentamento dos estressores foram identificadas, incluindo o apoio social, o acesso ao estudo formal, as invenções para fazer um mundo para se viver, a fé/religião, a participação ativa na comunidade em projetos cinematográficos e de práticas corporais. A salutogênese permitiu observar que esses elementos sugerem um forte senso de coerência no envelhecimento, evidenciado na capacidade de gerenciamento dos recursos disponíveis e da significância como motivação para se continuar vivendo ativamente. A história de vida singular apresenta lições que nos servem como conselhos para uma vida boa mesmo em um contexto de vulnerabilidade. Reconhecer os idosos como capazes e participantes ativos da comunidade é uma ação para tensionarmos os princípios de uma sociedade neoliberal que valoriza apenas os mais jovens. A salutogênese pode fornecer uma interpretação baseada na promoção da saúde para o envelhecimento ativo, a saúde e o bem-estar dos idosos como um direito humano.
Notícia retirada do Estud. Interdiscipl. Envelhec., 2024, vol. 29.
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